Ao Saulo
Saúdas meu organismo gramatical
com a perícia de um artista consagrado,
não pela crítica, mas pelo
Dom
E dominas o ar que, antes descompassado, passa a ser ritmado pela entonação da tua declamação.
São palavras que cortam-me o rosto
num rubor quente
de desejos hiperbólicos
E contradizem toda a antítese que afirma
a necessidade do toque para sentir
um tesão real..
Ao tesão literal que me resta,
degusto a origem da palavra até a
encarnação do poema.
Sozinha deleito
navegante das letras,
fonemas, morfemas e lexemas
Que formam teu Eu de poeta
Como um falo semântico
Romântico
Não de falácia ou sofismo
Falante falange
Representante da legião
Da poesia
Go do go
Ao gozo
Minha alma
Sobre teu verbo
Em um instante
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