Sobre nós dois

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Minha voz. Meu eu. Minha alma. Tudo cala.
Quase choro. Hesito em reconhecer. Reflito. Questiono. Descubro. Nada em mim seduz. Nada em mim.
Descartam. Cansam. Afastam. Devo ser ainda menos.
Nisto devo me tornar? Recuso aceitar. Agonizo. Lembro ser nada. E devo ser ainda menos.
Presenteio o mundo. Dou.
Meu silêncio. Durmo.
Não vou acordar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Fingi nao te ouvir quando disse que me amavas demais. A frase era sincera e profunda mas não bastava, como muitas outras jamais bastaram. Era um remedio sobre a ferida. Um manto quente de carinho em tom se preocupação. Evidência do seu medo. Percebi que minha dor é tão óbvia que até mesmo você, catarata avançada enxergou. Conclui guardar, passar chave. Nem um amor pouco revogará meus planos.

Conheci ela em sua nuvem de fumaça. Me parece tola e louca. Ameaça. Mas nao me importo, quem já morto está nada tem a temer.

Conclui que ainda te amo.
Mesmo sabendo q és hoje, inalcançável.
Talvez seja por isso. Talvez seja pelas lembranças do que sonhamos viver e jamais vivemos.
Talvez seja pelo cheiro em meus dedos de alegria.
Não sei. Só sei q isto pulsa. E não me importo em amar uma ilusão.

Escapou de meus lábios, gemido baixo e tímido. Mais intenso q qualquer grito. Anel a anel tremi e fechei. Sem desejar escapar. Sorri.
Era memória de que nunca vivi, tão real, tão palpável! Como tua voz. Ah tua voz! Delirei.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Depois da loucura que é te amar carnalmente, me odiar ternamente e sofrer em meu tumulto interno, sinto fome. Chego enfim a conclusão. Sofrer gasta calorias.

Teus passos pelo quarto. Tuas palavras. Meu choro. Tudo é. Tudo agonia. Tudo irrita. Tudo destoa. Eu. Vazia. Outra vez e cada vez mais. O choro soluça e então para, vira escarro num papel de tela.
Vejo nao haver futuro. Ou me mato por dentro ou me mato por fora. Nada além.

Dói. Como nao pensei q jamais doeria. Dói a esquiva, o empurro, a ojeriza. Dói sua respiração pesada, a culpa que me cabe, o sono q te tiro. Quando desejo meu era sentir saliva tua entumecer-me os seios frios, mão áspera arrepiar-me a pele. Arrepio

A pílula. É lavável.
A faca. O vermelho me agonia.
A canela. O cheiro me trás repulsas.
A gravata. O erro pode prolongar a dor.
O êmbolo. Me seduz e me assusta.

Outro corpo, outros lábios. A eles e só pra eles devo gozar de pleno orgasmo. Nao pra ti. Que me alucina mesmo enquanto dorme. Pois quieto faz-me imaginar que sou bela, que sou meiga, que sou delicada e voraz. Que sou mais q uma casaca que abriga teu saciar. Sou desejo latente, sou beijo fervente. Sou eu, enfim, finalmente.

Percebo que tais versos q nem versos são versam sobre a morte que me beija e me afaga. Penso nela bem mais do que deve ele pensar em.mim. Quero-a tanto quanto a uma namorada. Maos dadas num campo florido, filmes depois das seis, beijos a meia noite, intenso delírio. Amor vazio.

Ja nao mais sussurros. Gritos.
Temo o amanhã que ainda É depois da virada. Temo pois sei que dele nada espero.
E desesperança de nada esperar me desespera.

Descubro enfim porque desejo é sinônimo de pecar. Escorrego de meu alto patamar à seus braços de sono profundo, almejo sua carne quente sob meus lábios, a textura de seus pelos entre meus dedos, a firmesa de suas coxas encostando nas minhas. Desespero de tanto desejo, salivo de vontade de embrigar-me de teus beijos, profano, lambo.
Pago com amargo pecado. Da tolice de querer mais que posso. Desperta tu, e teu ódio. Arrependo-me. Choro.

O sono enfim chega, depois do erro, depois da lágrima. Sono de desassossego. Sono de nao querer acordar. Quem.me dera caixão vazio, seda fina. Terra na pá.

Recusa. O beijo contido. O carinho guardado. O sorriso desfeito. Desamo

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Está chegando ao fim. Está chegando ao fim outra vez. Meu fim? Talvez.

Vadia. Assim denomino meu novo eu. Julgue. Mas meu desejo ja transborda. Minha lascívia é constante. Boca salivante, sexo inundado. Intumeço. Il, elle, ils et elles. Libertina é definição de minha nova alma. Já nao posso me conter.

Hoje acordei pesadelo. Acordei forca, acordei lâmina. Sou caixão fechado, rosa branca. Respiro terra molhada de chuva, podridão. Hoje não mais que ontem, simples, acordei.

Ah querido! Como sou saudosa de ti! De sua voz. De seu riso. Lembro tua voz como se tivesse sussurrado em meu ouvido. Lembro do teu calor como se tivesse se alastrado por meu corpo. Lembro de nossos beijos com um doce na boca. Lembro de teu carinho. De teu bom dia. De te encanto, seu feitiço!
Ah querido! E se a tola honra nao tivesse vendado meus olhos? Seríamos hoje ainda? Teu abraço tão distante me alcançaria, apertando-me contra teu peito nu? Tua selvagem fome ainda sussurraria meu nome com sua grave e rouca voz?
Ah querido! Como sou saudosa de ti!

Te dei meu corpo em troca de meu próprio prazer. A tempos nao era por vão amor. Gozei. Meu gozo mecânico e longo. Hesitei. Nao queria te dar seu gozo. Sempre a mim negado. Mas dei, ainda que exausta. Dormi pesado. Diria quem sabe feliz. Mas felicidade não me cabe. Sou pequena como seu sexo. Todo vulgar e sem paixão.

Por que eu quis foi a resposta. E eu espero não me esquecer desta quatro palavras que anulam outras quatro letras. Guardei. Brotou em minha alma seis letras sujas, letras de prato frio.

Vaguei em minha tola vingança procurando você em outros olhos e sorrisos. Falhei.

Alquebrado coração. Pulsa vazio. Enquanto puxo o êmbolo. Encho de ar. Encaro a agulha. As mãos tremem de exaustão. O cheiro de minha pele é suor, e eu chorume. Uma pá enfatigada sobe, cai, deposita. A 7 palmos, permaneço. Lixo. A bolha sobe, corre, encontra. Pulsa. Pulsa. Pulsa. Não pulsa mais.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Uma pilha de erros. Uma montanha de vazio. Fria. Egoísta. Imbecil. Enquanto corpos caem ao meu redor eu danço, giro, finjo nao ver. Piso, são só cadáveres, e o caixão é de mogno como a parede do meu quarto. E eles caem como dominó. Eles caem e eu sigo em frente sem olhar pra trás. Pois sou como sou, um soco, uma coluna, um desespero. Depois penso que depressão e não poder sonhar.

Descubro reflexo meu sorrindo em seus olhos, como se o mundo fosse só nós dois outra vez mais. Te abraço e ali, aninhada em minha ilusão adormeço. Mas o sol nasce e com ele a luz ilumina a verdade. Eu hesito. Eu não resisto. O véu se desfaz. No entanto. Nao sou lágrimas ou vinganças, não sou dor ou medo. Sou além, sou imaterial. Desfaço-me de mim mesma. Absorvo. E nada sinto. Outra vez mais.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Esperei. Cada sorriso. Cada segundo. De nada valeu. Vc dorme. Eu choro. Segue a vida. E o relógio gira sempre horário, sempre além.

Tantas coisas a dizer. E me limito a silenciar. O som da minha voz é ruído. É jamais desejado. Assim como as palavras que escapolem. Sua vontade sobressai. Porque devo nao calar? Pergunta a mim a hesitação de perder meu eu. E porque insistir em dizer se nada diz? Então eu e Eu nos conformamos. Silêncio enfim para quem jamais quis meu som.

domingo, 19 de novembro de 2017

Uma pilha de erros. Uma montanha de vazio. Fria. Egoísta. Imbecil. Enquanto corpos caem ao meu redor eu danço, giro, finjo nao ver. Piso, são só cadáveres, e o caixão é de mogno como a parede do meu quarto. E eles caem como dominó. Eles caem e eu sigo em frente sem olhar pra trás. Pois sou como sou, um soco, uma coluna, um desespero. Depois penso que depressão e não poder sonhar.

sábado, 18 de novembro de 2017

Ainda ouço Sua voz me atormentar a cada noite. Espero que vc me veja só você. E abra este lk e lembre que sempre estarei nos seu olhos.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Giros sem sentido. E ainda leio versos nossos. Como se fossem fotos. Memórias do que ja se foi. Letras q formam seu rosto e voz..e ainda mais. A ilusão do amor construído, lascivo, nosso amor.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Dicionário do Eu

Minha palavra do dia:medíocre

medíocre

adjetivo de dois gêneros

1.

de qualidade média, comum; mediano, meão, modesto, pequeno.

"salário m., condição m."

2.

pej. sem expressão ou originalidade; mediano, pobre, banal, passável.

"texto m."

3.

adjetivo e substantivo de dois gêneros

diz-se de ou pessoa pouco capaz, sem qualquer talento, que, de modo geral, fica aquém das outras ou que, num dado campo de atividades, não consegue ultrapassar ou mesmo atingir a média.

"artista m."

4.

substantivo masculino

aquilo que está abaixo da média, relativamente à qualidade, originalidade etc.; inexpressivo, ordinário.

"a repulsa ao m. é uma unanimidade entre os verdadeiros artistas"

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Bom dia vc dizia. E mesmo bandida. Errada e tola. Eu ousava sorrir. Lembrança amarga e boa. Dualidade de amor, medo e odio. Que são três mas ainda dois. Eu e vc. Que éramos quatro no fim de tudo. Com ele. Com ela. E hoje somos nada. Somos quatro. Só. Nada mais

Gosto de me apegar a possibilidades.
Como uma festa de aniversário. Um amigo novo. Uma blusa de índio. O fim de um curso. O sorriso no.fim do.dia. A cama vazia. A dança. A bebida. O maço cheio. O gozo. O seio. O reencontro. A formatura. A tatuagem. Você. O plano.

Cama. Teto. Curso. Irmã. Pai. Família. Comida. Jogo. Amigo. Amor. Futuro. Vazio.

0utra vez a noite se inicia e o dia foi feito de escuridão. Raios de luz nao ultrapassam tristeza profunda. Que como as paredes de uma bolha me cercam, de dentro são como tijolos de concreto. Por fora, fina camada. Eu grito para ser livre. Mas sem ajuda. A bolha jamais estoura.

Percebi ser pequena. Como uma vírgula em meio ao texto. Sem função maior que uma pausa. Um respirar..

sábado, 11 de novembro de 2017

As vezes. Quando a noite é longa e meu suspiro tolo, desejo ter vc como jamais tive. Desejo amor. Nao concreto. Não inquebrável. Aquele amor de louça fina, tão louco e tão fragil nas mãos de criança. Amor grave como sua voz, amor tolo, bobo e findavel amor.
As vezes. Este amor doente e sonhado me basta. Como olhar tua foto e imaginar um futuro que jamais será. Ah como amo minha própria tolice neste "as vezes" que as vezes me corrói.

Decidi que o verso nao me cabe mais. Como um jeans velho entre tantos outros. Todas as festas sao esquecidas, o beijo recebido com ele em minha pele, sentindo meus arrepios, retendo meu suor juvenil. Todos os medos, sonhos e atrasos. Hoje como também ontem são descartados. Nao cabemos mais um no outro. O verso nao cabe em.mim. e eu jamais coube dentro de um verso.

Mesmo quando exponho a alma comp ferida aberta, o destino veda, oculta. Que seja então como ps deuses anseiam. Silêncio.

domingo, 13 de agosto de 2017

Revira

Descobri que o amos se esvai, se despeta-la como uma rosa que a muito tempo pendia em um galho. E como infernos doeu. Tamanha foi a dor, que a neguei. Como aceitar anos feitos em pó de desespero? Julguei ser pesadelo, voltei a dormir, a vida era composta de um sonhar acordado só meu. Quem sabe mantendo os olhos cerrados tudo voltaria ao lugar..