Tá frio
Disse o cobertor aos meus ombros gelados
E os aconchegou na meia noite.
Aceitaram seu calor de imediato
Seus fios macios
Acreditaram e dormiram
Envolvidos pelo frio acordaram na madrugada;
Geladas, as mãos tatearam
Sem nada encontrar
Os pés vasculharam
E se tornaram agoniados
A mente relatou: acordar?!
Tomou-me o breu
Pouco a Pouco, acostumando-se,
Os olhos o encontraram..
Distante e congelado
Caído no chão
Descartado
As mãos o afagaram
Querendo calor
Mas era tarde
A noite já havia deposto
Sua brandura e maciez
O tempo já havia destruído
O calor de seu toque.
Os músculos das costas retessaram
Encolhendo-se
Desacostumados
As mãos esconderam-se em seus fios,
abusadas como eram
Guardaram-no entre o queixo e o seio
O corpo encolheu
Aguardou
Os ombros chiaram:
Quanto tempo demoraria
Pra novamente sentir o teu calor?
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