Sobre nós dois

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Meu eu em ela

Desejei está noite um amigo.
Um ouvinte.
Alguém que ouvisse minhas palavras
sem julgamentos,
sem espadas para me perfurar.

Mas nada havia.
Não havia o silêncio dos livros,
não havia o companheiro da noite.
Nada havia.

Então te imaginei,
uma cópia minha.
Perfeita.
Calada, quieta,
doce e calma.

Que só fala caso lhe pergunte,
e mesmo assim só se demora no restrito,
no necessário.

Você era linda,
seu sorriso causava curiosidade,
por você ser mistério,
por sua voz ser melodia raramente ouvida,
você sorria pouco,
comia pouco,
indagava nada.

Era uma figura de paz,
sempre presente e distante.
Era um doce raro,
que todos queriam
e desejavam.

Sua boca era macia e de sorrisos,
e ouso dizer que livre de pecados.

Era impossível lhe olhar,
em sua beleza tão etérea,
e imaginar o ódio ou a dor
habitando sua carne
nem por um breve momento.

Você me fazia sorrir,
ainda de lábios selados,
obediente
e dedicada.
Delicada
e doce.
Perfeita.

Me apaixonei por você.
Pela possibilidade de tê-la para mim,
em mim.

Peguei sua mão.
Corri para longe,
roubei-a em mim.

Quando olhei para trás,
seus dedos não mais,
sua boca não mais,
seu sorriso
jamais.

Olhei para mim,
tantos erros a mais
Jamais..
seria assim.

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